quinta-feira, março 6

CÚMPLICES


CÚMPLICES
Vera Vilela

Naquele fim de tarde o céu conspirava
Fundo azul para as brancas nuvens
A Lua subindo, cheia, esplendorosa.
Vestida de noiva, brilhando altiva
Estrelas chegando, uma a uma
Furando o azul, já escuro
O pisca-pisca celeste eram olhos
Que ora nos olhavam, ora não
Envergonhados pelo exagero
De nossos braços em abraços
De nossas bocas em beijos
E nossos corpos em desejos

Naquela imensidão
Éramos dois, ou éramos um
Certeza apenas do cenário
Envolvente, eloqüente
Como um horizonte a nos abraçar
Ou nos esconder

Amor que sobrava, escorria, inundava
Circundava-nos e nos engolia
Depois cuspia frases soltas
Desconexas
Complexas
Ou apenas sussurros

Noite adentro refletindo
Peles, cabelos, pelos
Suores
Sorrisos de lábios mordidos
Rotas arranhadas
Ou apenas símbolos

Apertos exagerados
De mãos descontroladas
De corpos em êxtase
Chocando-se
Completando-se
Ou apenas gozando

Um comentário:

Ana Maria disse...

Lindo!