
DESABAFO
Vera Vilela
Não sei se sei exatamente
O que pretendo dizer e a quem
Só sei que o dizer é urgente
Queima aqui na minha mente
Essa necessidade de escrever
O que passa e repassa na cabeça
Não importa o que aconteça
Tem que ser dito o não dito
A palavra que escapa
É a melhor dita
Pois pensar impede
Que a mente grite
Mesmo que agrida
A sua maneira
Ou sua besteira de ser
Então que meu dito
Lhe atinja e lhe tinja
De cores mil
E lhe faça entender
Mudar seu jeito de ser
Transforme-lhe em versos
Abafando sua prosa conhecida
Já tão batida e repelida
Por séculos de desamores
Dores cicatrizadas
Curas bravamente cultivadas