quinta-feira, outubro 30

GATÃO AMIGÃO
*10/007 +27/10/008

Géber Accioly



Diz o aforismo que 'mais vale um cachorro amigo que um amigo cachorro', mas... Vou me permitir retificar para: mais vale um Gatão amigo que um amigo 'gatão'. (principalmente pra mim que sou ligado em 'gatas').

Gatão era um gato amigo. Manja um gato vira-latas de estirpe (adorava catar 'petiscos' pelo lixo depois que comer sua ração). Gatão devia ter complexo de cachorro, pois me acompanhava em caminhadas até a beira do mar. (ficava deitado em uma distância segura, até que eu voltasse).



Gatão seguia na minha frente e caia, se fingindo de morto, para coçar-lhe o pescoço e somente se levantava quando eu cantarolava baixinho: 'Meu Gatão 'moleu' /Que será de mim/Eu vou buscar outro, Gatinha/Lá no 'Piói'. (Gatinha é a irmã dele da mesma ninhada). [Enquanto ele agonizava devido ao efeito do 'CHUMBINHO'veneno terrível que findou nossa amizade física, eu cantarolava e ele tentava se erguer. Acreditem!]

Gatão era mais caseiro que sua irmã, a Gatinha. Sempre que eu entrava em casa era o primeiro a me receber. Ficava sério e me olhava como quem não quer e querendo. Eu piscava para ele e logo se achegava (rabo em riste) se esfregava um pouco e caia se fingindo de morto.

Gatão era sempre meigo, atencioso, educado e obediente. Dormia em uma caixinha de papelão (30x20x10) que servia de embalagem para morangos.




Enroscava-se até caber dentro e ficava com a cabecinha apoiada na borda. Dormia sonos soltos. (Enterrei-o na beira mar dentro de sua 'caminha' e ele estava do mesmo jeitinho e dormindo seu sono agora totalmente 'solto').

Gatão. Mil coisas para dizer de Gatão. Eu dizia que Gatão era um gatinho e Gatinha uma gatona, agora vou sempre dizer: Gatão amigão. (Obrigado, AMIGÃO, por me deixar ser seu amigo)


*eu demorei um pouco pra ler esse texto do Géber porque eu também perdi meu Gatão esse ano, e somente quem tem amor aos animais sabe a dor que é perder um amigo desse, só posso dizer ao Gé que o tempo vai curando essa dor, mas a saudade é eterna.


Géber e os gatos

Géber não gostava muito de gato não
Mas sua amiga Vera vivia falando deles
Aos poucos eles viraram sua paixão
E dessa paixão veio o Gatão
E tantos outros com ele dividiam
O amor, atenção e carinho
A caiçara já não era mais a mesma
Entre miados e ronronados
Géber vivia feliz
Agora Gatão se foi
Está lá no céu com seu xará
Miando, correndo
Se finjindo de mortos
Mas para sempre vivos
Dormem em suas caixas de papelão

Vera Vilela

11 comentários:

iara disse...

ai amiga. tão lindo!
e quem ama os animais como vc só pode ser assim ...bela!
saudades de vc.
bjs
iaiá

Carol, pros íntimos. disse...

Verinha querida

Nessa hora nem sei o que dizer... Sempre que nossos amigos se vão, por mãos de gente desumana, MONSTROS, fico cada vez mais decepcionada com o ser humano, que só retrocede.
Que Deus tenha piedade desse povo.

Feliz é aquele que, sente no coração, o amor que esses amiguinhos tem pra nos dar, AMOR GRATUÍTO.

Fica com Deus, amiga!
Beijinhos

Caroline

Anônimo disse...

Esse texto me fez chorar...
Nesta vida já tive tantos amores gatos que perdi a conta. E morri um pouco toda vez que um deles se foi, pois cada um deles levou junto um pedaço do meu coração.
Viver é isso: sofrer cada perda, mas seguir em frente, encontrando novos amores.
grande abraço
Ivana

Clarice Villac disse...

Géber & Vera,

Muito linda a história contada pelo Géber, dessa amizade assim tão bela, espontânea, simples como os bichinhos podem compartilhar com a gente.

E vamos nos organizar, vamos tomar partido e trabalhar pela proibição do chumbinho, para que a lei contra maus tratos aos animais seja sempre cumprida, vamos educar e sensiblizar as pessoas !
E continuar compartilhando nossas vidas com os animais.

Lindo poema, Vera !

Abraços solidários,

Clarice.

Ana Maria disse...

Ai...fiquei emocionada...
Meu gato Nick tb. adora jogar-se no chão, fingindo de morto para q eu possa acariciá-lo na nuca e cabeça, mas só posso fazer com o meu pé!!
Nick tb. adora domir em caixas minúsculas...
Géber, imagino a sua saudade!!!
Vera q poeminha liiindoooooo!!!

São Francisco de Assis vai tomar conta do Gatão, aliás ele faz isso com todos os nossos irmãos bichinhos.

Um grande abraço!

parla marieta disse...

senza parole.
vocês me emocionam

Anônimo disse...

Gostaria de dizer tantas coisa ...mas estou com o coração apertadinho...só posso dizer que estou sentindo a sua dor e que eles foram felizes por pertecerem a pessoas como vcs.bjus.madazé.

Anônimo disse...

Nossa! Enviuvei há 4 anos e não recebi tanto carrinho como agora! Saibam todos que VERA VILELA me aguentou e confortou durante a doença, morte e luto da finada.
Obrigado a todos e sei que o mundo ainda não está perdido,mas como VÉ e seu amor por todo tipo de vida somente...somente...somente...(nossa! como é difícil encontrar um par!)
Géber Accioly

A Tecelã disse...

VEra, que seu amigo tenha a certeza de que o Gatão tem um lugar lindinho no céu dos bichos, relembrei o sofrer do meu Chico, um vira-lata aristocrata, que se foi ano passado e novamente chorei sua ausencia...
Mas tenho certeza que,quando me for para o lado de lá, meu Chico vai estar me esperando, com seu lindo olhar de conviança, me esperando, para me acompanhar alegremente, miando baixinho e abanando o lindo rabo.
Beijos para todos que amam e cuidam de seus animais.
Marcia

aacciolyy disse...

Conheci de perto o gatão. A gatinha também. O gatão "moleo" tanto que jamais imaginei iria morrer. A gatinha - lembro-me - não "molia" mas morreu. Santo Deus! Morreu o gatão. Morreu a gatinha. Gatões e gatinhas morrem. Morremos nós.

Géber Romano Accioly disse...

Realmente, Gatões e Gatinhas morrem e renascem em outros Gatões e Gatinhas, mas nunca é completamente..Sempre figa um "Rabo de fora"...