segunda-feira, fevereiro 19

É PIQUE! É PIQUE!



É aniversário da amiga Sandra, também mãe do meu gato Elvis!

Muita alegria pra você, hoje e sempre!
Nós te amamos muito!





HAVE YOU EVER REALLY LOVED A WOMAN?

HAVE YOU EVER REALLY LOVED A WOMAN?
(Tradução)

Para realmente amar uma mulher, para compreendê-la,
Você precisa conhecê-la profundamente por dentro,
Ouvir cada pensamento - ver cada sonho,
E dar-lhe asas - quando ela quiser voar.
Então, quando você se achar repousando
Desamparado nos braços dela,
Você saberá que realmente ama uma mulher...

CHORUS
Quando você ama uma mulher,
Você lhe diz que ela realmente é desejada.
Quando você ama uma mulher,
Você lhe diz que ela é a única
Pois ela precisa de alguém para dizer-lhe
Que vai durar para sempre.
Então diga-me: você realmente,
Realmente, realmente já amou uma mulher?

Para realmente amar uma mulher,
Deixe-a segurar você,
Até que você saiba como ela precisa ser tocada.
Você precisa respirá-la - realmente saborea-la
Até que você possa sentí-la em seu sangue.
E quando você puder ver
Suas crianças que ainda não nasceram dentro dos olhos dela,
Você saberá que realmente ama uma mulher

CHORUS

Você precisa dar-lhe um pouco de confiança -
Segurá-la bem apertado,
Um pouco de ternura - precisa tratá-la bem.
Ela estará perto de você, cuidando bem de você,
Você realmente precisa amar sua mulher...

Então, quando você se achar repousando
Helpless in her arms,
Desamparado nos braços dela,
Você saberá que realmente ama uma mulher...

CHORUS

Então diga-me: você realmente,
Realmente, realmente já amou uma mulher?

Então diga-me: você realmente,
Realmente, realmente já amou uma mulher?

Pegue a música AQUI

QUE SUSTO!


Esse é o chão de um banheiro na casa de um artista plástico.

Ele com certeza, pensou que seria legal assustar seus convidados em cada visita a sua casa.

IMAGINE VOCÊ BÊBADO EM UMA FESTA NA CASA DESSE CARA AO ENTRAR NO BANHEIRO?

*enviado pelo Jairo (clique na imagem para ver maior).

domingo, fevereiro 18

DROGA DE DOMINGO

DROGA! DROGA! DROGA!
M... M... M...
ATÉ UMA POETISA PRECISA DESABAFAR DE VEZ EM QUANDO!
DROGA! DROGA! DROGA!
entenda droga com o palavrão que quiser!

sábado, fevereiro 17

VIAGEM ATRAVÉS DO SONHO


VIAGEM ATRAVÉS DO SONHO
Vera Vilela


Resolvo cumprir uma promessa e finalmente visitar uma amiga virtual.

Chego até uma casinha simples rodeada de árvores, flores, nem tão bem cuidadas, mas com muita saúde. Os pássaros se deliciam na sombra, nos frutos e nos néctares da paisagem. Alguns especiais como os beija-flores amigos, que encontram seu alimento preparado com carinho por sua benfeitora.

Abro o velho portão, quase caindo, demonstrando a falta de um marido por ali, de madeira já velha, se escondendo atrás de trepadeiras em flor que se deitam por toda a cerca que o ladeia. Um velho cão corre ao meu encontro como se me conhecesse, abanando o rabo em sinal de aprovação, me recebendo e encaminhando para dentro da casa.

Meu coração por um instante se acelera pelo momento que virá a seguir, paro um pouco, me recosto na cerca florida na sombra de um frondoso flamboyant.

Lá dentro me espera uma pessoa. Uma mulher calejada pela vida, judiada pela natureza, com várias cicatrizes em seu coração imenso. Não poderá vir até mim pela impossibilidade física, mas tem estado muito presente em minha vida ultimamente. Sua experiência muito tem me ensinado, tenho marejado os olhos pelos seus escritos, que na maioria das vezes provém de fatos de sua vivência.

Minha vinda hoje não é apenas um conhecimento físico entre duas mulheres amigas, é um motivo muito maior que isso, pois já nos conhecemos intimamente através de nossas almas.

Meu objetivo é admirar sua escapada, sua inspiração mensal. Será hoje o grande dia, ela recostada na velha janela, com os olhos arregalados e direcionados ao horizonte ainda azul claro, que aos poucos se tornará escuro e picado de pequenas estrelas brilhantes, com ele virá o grande presente que sua janela mensalmente lhe dá.

Ah! Sensação de noite de natal de minha infância, sensação de banho de cachoeira em dia de calor, sensação de mergulho no mar pela primeira vez, sensação de cheiro de café de manhãzinha preparado por minha velha mãe, sensação do primeiro beijo!

Perco-me em pensamentos, sensações e cheiros e não percebo o dia que já se cobriu da noite, olho em direção a janela e vejo a amiga: olhos brilhantes, braço estendido ao alto e uma expressão de alegria, de conforto. É como se de repente ela fosse invadida pela energia vinda de um brilho diferente que ela admira o que me fez viajar até aqui.

Vejo claramente sua transformação. Seu rosto de senhora se distende delicadamente, vejo o rubor brotar no rosto antes sem cor. Seus lábios se enchem e se transformam, suas mãos se amaciam e se esticam mais ainda para alcançar a luz. Ela é agora uma linda e jovem mulher e seu olhar é apaixonado e apaixonante.

Sinto-me paralisada com a cena e ao mesmo tempo tocada por aquela energia que emana daquele brilho intenso. Preciso olhar, preciso saber, quero ver, quero sentir também.

Não consigo me mexer, meus músculos não obedecem aos meus comandos e permaneço ali extasiada, involuntariamente detida.

O brilho aumenta e a jovem mulher vai para fora, está com roupa de baile e vejo chegar até ela, saindo da luz - um cavalheiro -, coloca uma das mãos em sua cintura, com a outra segura sua mão e começo a ouvir uma música angelical, uma partitura desconhecida, sons que penetram na alma.

Os dois começam a rodopiar no mesmo instante, parece uma valsa. Riem muito, mas não se falam, dançam animada e carinhosamente. Percebo que não estão com os pés no chão. Eles levitam no círculo brilhante que se formou, sobem e descem sintonizados com a música. Ela agora é livre, não existe mais o chão, a terra castradora de seus movimentos. A magia se expande aos poucos, o círculo vai aumentando e chega até e através de mim. Sinto-me levitar e uma imensa paz invadindo minha alma.

Chego até os dois e aceito as mãos que me oferecem e dançamos a três, é uma sensação inusitada. A música aos poucos vai ficando mais longe, sinto-me mais pesada e descendo bem devagar. Olho agora para o céu na direção da luz que nos envolveu.

Uma nuvem aos poucos encobre a Lua na mesma medida que seu brilho nos abandona, uma ponta de tristeza toma conta de mim, mas minha amiga me previne.

“Não lamente por ter acabado, maravilhe-se pelo que teve, poucos puderam sentir esta força. E lembre-se amiga, este espetáculo eu tenho apenas uma vez por mês, quando a Lua Cheia se enquadra em minha velha janela.”

E assim se foi o cavalheiro e a luz, com um piscar dos olhos. Minha amiga está sentada à soleira da porta. Eu a ajudo a sentar-se na cadeira de rodas e a levo porta adentro.

E assim nos despedimos com um forte abraço, já não há mais o brilho, a Lua, o cavalheiro, os beija-flores, os cheiros, mas existirá sempre o momento vivido, este nunca desaparecerá. É uma experiência para se lembrar pelo resto de minha existência.

sexta-feira, fevereiro 16

RELATÓRIO DE VIAGEM!

Como prometido fiz hoje meu relatório de viagem!
Vocês podem ler e ficar por dentro de tudo lá no PANORAMA.


Aloísio, Leda, Gleidson e eu.

VOCÊ JÁ SENTIU MUITA RAIVA?

Vejam se conseguem me entender:

-Um filho de não sei quem resolve se dar bem as custas de outros.
-Ele entra na Internet e começa a sequestrar textos.
-Acha um conto enorme e gosta apenas de um pedacinho dele.
-Então ele retalha o conto e o transforma em uma crônica junto com centenas de outras.
-Sem nenhuma autorização do autor ele coloca em seu site, que é visivelmente de venda, e promete um CD com todas essas belíssimas crônicas, claro que a um custo bem razoável.

O autor do texto nem faz idéia de que seu texto está sendo comercializado.

O QUE FAZER?

Aceito sugestões.
Depois continuo com essa infame história, acho até que vou transformar num conto, já tenho até um título:

GANHE DINHEIRO FÁCIL COM O TALENTO ALHEIO.

PUFF!

VOLTEI!

É isso aí pessoal, fui passear e voltei muito feliz em rever amigos, conhecer outros.
Amanhã faço meu relatório.

Onde será que eu fui? Olhe esse céu, a entrada da cidade...


Adivinhe!

Achou?

Fotos by eu mesma...rs

quarta-feira, fevereiro 7

BEIJINHOS

Até a volta!

BENDITA CRISE



BENDITA CRISE

Bendita crise,
que sacudiu o mundo e a minha vida.

Bendita crise,
que está reciclando tudo.

Bendita crise,
que veio tirar minha ilusão
de permanência.

Bendita crise,
que vai trazer evolução.

Bendita crise
que vai fazer o mundo se reestruturar

Bendita crise,
que traz a transformação

Bendita crise,
que vai me ensinar o que é
verdadeiramente importante.

Bendita crise,
que é um desafio.

Bendita crise,
que vai me revelar a minha
própria sabedoria.

Bendita crise,
que dissolve meus apegos.

Bendita crise,
que vai ampliar minha visão.

Bendita crise,
que me faz humilde.

Bendita crise,
que vai abrir meu coração

Bendita crise,
que me traz a confiança.

Bendita crise,
que vai me mostrar outras
oportunidades.

Bendita crise,
que me faz dar mais importância
à vida

Bendita crise,
que me tirou do marasmo.

Bendita crise,
que leva a um novo paradigma.

Bendita crise,
que está me mostrando
a Luz.

Bendita crise,
que me fez voltar a ter fé.

Bendita crise,
que traz de volta a aventura de viver.

Bendita crise,
que é o ponto de mutação.

Bendita crise,
que me traz de volta
o amor
pela Humanidade.


Om Namah Shivaya
Om Shanti Om

Enviada pela amiga Aninha

HAICAI LUA I


HAICAI LUA


terça-feira, fevereiro 6

FIM DE SEMANA

Na semana passada resolvi tirar uns dias para descansar de verdade, longe de casa e dos problemas. Pensei em ir até Barbosa, de ínicio, ficar o fim de semana, rever parentes e aliviar um pouco o stress, depois faria uma outra viagem um pouco mais distante.

Infelizmente as coisas nem sempre são como a gente gostaria que fosse, criamos expectativas que às vezes dependem de outros fatores que não levamos em conta. Resolvi então voltar pra casa. Talvez eu ainda descanse uns dias, mas estou pensando em fazer isso aqui mais perto de casa, num lugar em que eu possa realmente ficar longe de tudo que me estressa, vamos ver.

A viagem até Barbosa foi ótima, acabei sendo levada pra uma festa que tenho verdadeira repugnância que é um RODEIO, mas foi bom porque pude realmente constatar e reafirmar minha aversão a este tipo de divertimento onde o homem se vale de sacrifício de animais para se divertir e divertir aos outros. É de dar pena o sofrimento de cavalos e touros, dá pra ver em seus olhos a dor. Claro que eu torci o tempo todo pelos animais.

Como alguém ainda tem coragem de dizer que não há maltratos? O cavalo só pára de pular quando soltam aquilo que prendem em sua barriga, é de chorar de ver e não de se divertir. Deviam fazer isso com um homem pra ele saber se é sofrimento ou não. Tenho nojo de quem vive disso. Quando vão soltar o animal, passados os 8 segundos, apagam as luzes de toda a arena para que ninguém veja: a soltura das amarras, o alívio do cavalo e ele volta manso como um cavalo normal.

A coisa toda gira em torno de muito dinheiro e pouquíssima cultura, começando pelos famosos locutores que simplesmente assassinam a nossa língua mãe.

Saí de lá muito revoltada com o ser humano que tem a capacidade de raciocínio e é capaz de atrocidades como a que eu vi.

Por outro lado vi cavalos de raça num desfile pela cidade, cavalos realmente bem tratados, mansos e felizes, que são capazes de seguir seus donos como se fossem cachorrinhos, sem estarem presos a nada. Essa á parte boa.

Comi polenta de milho e cuzcuz feitos pela Seguimara. Comi pamonha, pão-de-casa e doce de leite feito pela Petita. Ouvi histórias e fiquei feliz em saber que minhas primas ainda conservam a tradição de se juntarem para fazer pamonha, curau e bolo de milho, tenho recordações da minha casa quando criança, quando nos juntávamos para ralar milho, passar pela peneira, espremer, fazer o curau com o caldo mais fino, pamonha e por fim bolo com o último bagaço. Era uma festa onde todos participavam, uma união da família, hora de contar estórias, brincar e cantar.

Deu muitas saudades de meu tempo de criança e dessas tradições que hoje quase não se vê mais.

Eita coisa boa!

segunda-feira, fevereiro 5

ANIVERSÁRIO DE BARBOSA

Estive este final de semana na cidade de Barbosa-SP, minha terra natal. Estávamos festejando os 47 anos de emancipação política.
A festa foi uma das maiores que eu já na cidade, muita alegria, fogos e no domingo o desfile de várias fanfarras da região e também algumas comitivas e carros alegóricos.
O prefeito Mario e sua esposa Eni estão de parabéns pelo magnífico presente aos barbosenses.

Minha prima Seguimara me hospedou mais uma vez em sua casa, era mulher que não acabava mais: ela e as três filhas e eu com a minha, ela é uma anfitriã sem igual, o único perigo é voltar de lá com alguns quilinhos a mais...rs

Aqui minha companheira, a Lua de Barbosa.


Aqui nesta foto estão: Alessandra, eu e Seguimara (primas)



Abaixo vocês podem ver coisas muito diferentes como o carro de boi.

BARBOSA II

A Igreja de Nossa Senhora Aparecida.



Aqui abaixo no desfile de cavalos fiquei maravilhada com a beleza e saúde dos animais, a impressão que se tem é que são tratados feito reis. Todos fizeram apresentações, sem nenhum grito ou chicotada, apenas com gestos dos donos, é impressionante!




sexta-feira, fevereiro 2

BEIJOS PRA TODOS!


O DIA DA LIBERDADE


O DIA DA LIBERDADE
Vera Vilela



Amélia ainda se lembra quando, há 5 anos, o marido resolveu passar o dia na praia com ela e os filhos. Rafael veio de carro com os apetrechos e comida. Ela veio a pé com os filhos chorando o caminho todo porque seus pezinhos estavam queimando. Eles eram proibidos de entrar no carro com o pé sujo de areia.

Após 2 horas de passeio o caçula da família espetou o pé dentro da água e voltou chorando com o pé sangrando. Rafael já se levantou bravo e encheu de palmadas o filho por ter se machucado. Xingou a mulher por não cuidar direito dos filhos, pegou uma cerveja e tomou-a num gole só.

O caçula chorava incomodando o pai. Este então, muito bravo, pegou a toalha que estava na cadeira e chicoteou o menino até suas costas avermelharem. Amélia em desespero gritava, mas, quanto mais ela gritava, mais ele batia. O menino revirou os olhos e os fechou de vez com um chute que Rafael desferiu em sua cabeça. A mãe apavorada tentava inutilmente segurar o marido, mas, ele a jogava longe toda vez que se aproximava.

Na última tentativa ela caiu sobre o isopor com cerveja virando-a e fazendo um dos cascos quebrarem. Ela olhou e viu a garrafa partida, seus olhos faiscaram quando percebeu que aquela podia ser a sua salvação e do filho.

Pegou pelo gargalo da garrafa e desferiu um golpe em seu marido. Acertou sua cabeça. Ele virou-se com ódio e ela enterrou a garrafa em sua garganta, fazendo o sangue jorrar em bica do lado de seu pescoço.

Pegou os dois filhos e os colocou dentro do carro, ouvia o marido gritar por socorro. Antes que pudesse mudar de idéia e ir até ele, os gritos cessaram.
Seu filho mais novo acordou do desmaio e nada entendia, o mais velho tinha a cabeça abaixada e fingia nada ver. Como era outono e a praia estava deserta, ela resolveu levar os filhos até em casa e voltar.

Trancou-os e pediu que não atendessem a ninguém.

Voltou até a praia e percebeu que o marido estava morto, nada mais podia ou queria fazer. Arrastou-o com dificuldade até o carro, jogou no porta malas já forrado com plástico de cobertura.

Com calma conduziu o corpo do marido até o cais e o lançou no mar. Foi para casa, lavou todo o carro. Voltou para a praia e com um pá, removeu o sangue da areia junto com os cacos de garrafas.

Às 10 horas do dia seguinte ela foi até a delegacia e registrou o desaparecimento do marido que já era conhecido por sua violência com a família.

O corpo nunca apareceu e ela continua, sempre no mesmo dia do ano, comparecendo ao cais, joga flores ao mar, abaixa a cabeça e diz bem baixinho:

-Queime no fogo do inferno, miserável!

Faz o sinal da cruz e vai embora.

UM TERRÍVEL ENGANO


UM TERRÍVEL ENGANO
Vera Vilela



Tive sorte naquele dia, cheguei à plataforma de embarque e o ônibus já estava de saída. Entreguei rapidamente o bilhete ao motorista e fui procurar meu assento. Número 33- janela, dizia meu bilhete. Morando no interior e trabalhando na capital precisava viajar todo fim de semana.

Encontrei enfim meu assento, mas, curiosamente um homem idoso se apossou do assento de meu número, ao lado da janela. Fiquei por instantes em pé olhando fixamente para os olhos dele que se mostravam tranqüilos. Para não atrasar a partida resolvi me sentar e aguardar, afinal a viagem é longa.

Assim que o ônibus chegou a estrada me levantei e fui ajeitar minha mala de mão no bagageiro interno. Arrisquei uns olhares insatisfeitos para o velho senhor que prontamente se levantou e se ofereceu para me ajudar. Imaginei que logo após ele deixaria que eu me sentasse em minha poltrona e se acomodaria na do corredor, mas, isso não aconteceu. Rapidamente ele se sentou no mesmo lugar e eu fiquei tentando me acalmar. Arrisquei então uma pergunta:

- Qual é o número desse assento que o senhor ocupa?

- Se não me engano senhorita é o número 33. – Ele me respondeu.

Mas aquilo foi ultrajante. Então ele não se enganara, sentou deliberadamente em meu lugar.

Vejo então ele abrir uma sacolinha de supermercado que carregava e tirar de dentro um pacote de bolachas. Ele educadamente me ofereceu mas, minha vontade naquele momento era de dizer mesmo a ele – Não, obrigada, prefiro que devolva meu assento.

Ele então se dirigiu a mim e disse:

- Qual é o nome da senhora? Viaja sempre para o interior?

- Me chamo Graziela, muito prazer! Viajo sim, todas as semanas neste mesmo horário. E o senhor?

- Meu nome é Armando, estou indo visitar uma netinha que adoeceu. Minha filha mora no interior.

A conversa não teve continuidade pois, minha personalidade forte me lembrava o tempo todo da poltrona de número 33, na janela, que era minha.

O senhor Armando então adormeceu após me irritar durante algum tempo com o barulho da mastigação e logo após a limpeza em seus dentes que fez pacientemente, ora chupando o ar, ora com a língua e ora com o próprio dedo.

Meus nervos estavam à flor da pele. Tentei cochilar, mas, o barulho que meu vizinho de poltrona fazia ao respirar era muito alto, cheguei a pensar em dar-lhe um chacoalhão mas, me contive.

Após três horas consecutivas de tortura com as comilanças e ressonâncias do senhor Armando, finalmente chegamos em nossa primeira parada. Levantei-me rapidamente já planejando voltar antes do senhor Armando e sentar-me confortavelmente, finalmente, em meu assento.

Fui até a lanchonete e esperei que ele saísse. Assim que isso aconteceu, corri para dentro do ônibus, sentei-me no assento de número 33, respirei profundamente, aliviada. Recostei a cabeça na janela e mesmo antes de o ônibus partir já estava dormindo. Ainda faltavam mais de 4 horas de viagem.

Ouvi alguém me chamando, parecia sonho:

- Dona Graziela, dona Graziela, por favor!

- Sim...Hein? Ahh! Senhor Armando! Pois não!

- A senhora poderia me dar esse encosto de cabeça, eu o uso por causa de dores na coluna?

- Claro! Me perdoe senhor Armando. Nem percebi e encostei a cabeça nele.
Minha vontade era mesmo de torcer o pescoço dele. Me fez perder 3 horas de sono ocupando meu lugar e depois ainda me acordava por causa de uma porcaria de encosto de cabeça?

A viagem prosseguiu calmamente, só que depois de tudo eu me sentia como uma rainha em seu trono, era só o senhor começar a roncar eu dava uma cotovelada , ouvia um “uh” e dormia novamente.

O senhor Armando continuou com sua comilança, mas, por duas vezes eu lhe perguntei se podia comer em pé porque estava cansada e precisava de umas horas de sono. Ele me atendeu nas duas vezes sem reclamar. Afinal, depois de estragar 3 horas de minha viagem, era o mínimo que podia fazer por mim.

Horas depois eu senti que o ônibus havia parado. O motorista avisou a todos a chegada. Esperei que o senhor Armando se levantasse e, ele gentilmente se despediu de mim que, com muita má vontade arrisquei um sorriso. Levantei-me, peguei minha bagagem e desembarquei.

Estranhei muito meu irmão não estar ainda na rodoviária me esperando.

Resolvi então olhar o relógio. Eram 7:30 horas da manhã. Estranhei também o horário e me dirigi a uma pessoa que estava ali aguardando:

- Senhora, que horas são?

- Agora são 7:32 horas.

- Poxa vida! O meu ônibus esta semana chegou mais cedo.

- Não chegou não. A senhora chega sempre no mesmo ônibus que meu filho, às 7:45 horas.

- Mas, não era este? –
Eu perguntei já muito sem graça.

- Não. Este é o ônibus extra por causa do feriado prolongado.

Eu gelei naquele momento e resolvi olhar meu bilhete.

Plataforma de embarque – 27
Horário de chegada – 07:30h
Poltrona – 33

Meu Deus! Que injustiça. Chamei o motorista que já ia entrando no ônibus para levá-lo para a garagem.

- Senhor, conhece aquela pessoa que viajou ao meu lado?

- Conheço sim. É um homem muito doente, me contou quando eu o interpelei na primeira parada, afinal ele comprou duas passagens para viajar deitado, mas, a senhora ocupou um dos lugares. Ocorre que ele me pediu que não a incomodasse porque a senhora parecia estar com problemas.

A partir daquele dia aprendi a não julgar as pessoas sem antes saber exatamente de quem se trata e tento sempre olhar pelo seu ponto de vista antes de olhar pelo meu.

AMORES VIRTUAIS


AMORES VIRTUAIS
Vera Vilela



Tudo o que ela queria era se sentir amada, ter um carinho, ainda que fosse virtual. Pensou bem e decidiu que aquele poderia ser o seu amor de "faz de conta".

Durante algum tempo, ela se aproximou dele, aceitou suas cantadas batidas, suas palavras já cem mil vezes repetidas.

Seus poemas eram antigos, muitas já o leram, acharam maravilhosos os versos de amor!

Mas para ele, era tudo muito simples, um e-mail, um poema e várias destinatárias. Algum tempinho depois ele teria muitas respostas apaixonadas e carentes.

Ela continuou com seu jogo de sedução, ele aproveitou.

Ele disse da enorme vontade em conhecê-la, e ela delirou de alegria, chegou a chorar de emoção com suas palavras genialmente calculadas.

A mulher carente apenas esqueceu de um detalhe. Ele sempre se disse tão sem recursos, funcionário de uma loja, ele exercia a função de ajudante de copiadora - ganhava muito pouco. Mas ela era uma pessoa com a situação financeira definida. Tinha uma empresa de produtos naturais e faturava uma fortuna mensalmente.

Após meses de extrema provocação por parte dele, veio o golpe fatal!

Um telefonema do amor da sua vida dizendo:

-Minha Amada Criatura! Estou acometido de uma doença desconhecida e luto por minha vida. Minha única chance é um remédio importado, mas jamais teria condições financeiras para adquiri-lo.

Ela chorou, se descabelou e ofereceu ajuda a ele. Mas seu amor não aceitou o dinheiro e disse que se sentiria muito mal se tivesse que recorrer justamente a ela. Poderia parecer que ele estava se aproveitando da situação.

Então, ele pediu a ela que entrasse em contato com uma sua irmã que morava no interior e avisasse a ela seu estado de saúde.

Extremamente abalada, ela fez o que o amado a pedira. Chorava sem parar e quando a tal irmã atendeu ao telefone já disse:

-Nem tente se negar a aceitar minha ajuda! Estou depositando hoje mesmo o dinheiro para comprar o remédio de seu irmão, me dê o número de sua conta.

É claro que a falsa irmã se fez de coitadinha, tentou se negar a receber o dinheiro e por fim a fez prometer que nunca contaria nada a ele.

Pegou os dados da moça e fez o depósito na hora!

Passaram-se então 10 dias sem notícias dele. O celular não mais atendia. No telefone anotado da irmã, diziam não conhecer ninguém com aquele nome. Ela então começou a se preocupar. Resolveu ir até aquela cidadezinha no interior a procura dos irmãos.

Lá chegando, conseguiu o endereço que o número daquele telefone estaria instalado. Achou uma velha senhora que dizia ter tido uma moça como empregada, mas, após uma semana de trabalho foi embora.

Muito triste e confusa voltou até a rodoviária para pegar o ônibus de volta, quando entrou com os olhos vermelhos o motorista coçou a cabeça e disse:

- Esta cidade tem algo de muito triste, em 10 dias eu acho que já transportei umas 20 moças chorosas, estranhas à cidade. Coisa esquisita!

quinta-feira, fevereiro 1

UMA CARONA INUSITADA


UMA CARONA INUSITADA
Vera Vilela



Durante mais de dois anos trabalhei em uma cidade distante de minha casa exatamente 35 quilômetros. Toda essa distância era percorrida por uma estrada vicinal que tinha mais buracos que asfalto.

Dos dois lados da estrada o que eu via eram apenas plantações de cana de açúcar a perder de vista.

Por toda a estrada o tráfego principal era de treminhões, aqueles caminhões enormes que carregam cana.

Quando saía mais tarde do trabalho enfrentava a escuridão total, dependendo da lua, às vezes era até gostoso ver o céu estrelado e a lua brilhando no céu.

Eu nunca fui uma pessoa medrosa e nunca acreditei em fatos sobrenaturais, por isso essas viagens diárias eram normais para mim.

Numa dessas noites, aliás, uma noite escura, com céu encoberto: sai bem tarde do serviço. O trânsito neste horário era quase inexistente e logo acendi os faróis do carro. Andei por volta de oito quilômetros onde eu desviaria para outra estrada, diminuí a velocidade, liguei a seta e entrei devagar no trevo de acesso. Avistei uma mulher esperando uma carona com um bebê no colo e logo imaginei ser uma criança precisando de um médico.

Parei o carro e deixei que a mulher se acomodasse no carro, ela se sentou no banco de trás e me contou que ficaria logo a frente, uns três quilômetros, na casa de sua mãe. Dizia que ela devia estar preocupada porque faziam dois dias que não se falavam, e que não conseguiu ir até lá a pé.

E assim fiz, mas, por gentileza entrei na cidade e a deixei na casa de sua mãe. Somente quando cheguei em minha casa, vi no banco de trás uma manta de lã que deveria ser do bebê. Resolvi voltar lá no dia seguinte e devolvê-la.

Cheguei na casa dela muito cedo, por volta das 7:30 horas. Quando a dona da casa me viu com a manta na mão – veio em meu encontro e disse:

Onde achou essa manta? É de minha netinha! Minha filha desapareceu há dois dias com ela e ninguém tem notícias.

Contei àquela senhora a minha história, mas, ela não acreditava no que eu dizia. Mas eu vi a mulher entrar na casa!

Achei melhor sair para colocar as idéias em ordem, o irmão da moça veio até mim e disse ter ouvido o que eu falei e me propôs que eu o levasse até o trevo onde encontrei a sua irmã.

Fomos então até o trevo e mostrei ao rapaz o local exato onde estava sua irmã. O rapaz então olhou ao redor e avistou por cima do canavial algumas roupas.

Fui com ele até o local e o que vimos foi horrível, vou dizer apenas que lá estavam os corpos da mulher e da criança, ambos nus e sem vida.

O assassino foi preso, fiquei sabendo que fora um homem que parou para dar carona a mulher. Acharam no local um documento que provavelmente caiu da roupa do bandido.

22/06/2004